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EXPOSIÇÃO ‘ATRAVÉS DE UM LÁPIS PRETO’ INICIA NA CASA DAS ARTES


É com o lápis preto que a história de Júlia Pasquali está sendo desenhada. Aos 13 anos, a garota irradia felicidade ao falar da sua primeira mostra. “Ia desenhando mais por brincadeira, nunca pensei que pudesse virar uma exposição” conta.

Seu interesse pelo desenho começou há oito anos, quando ficou internada por 15 dias por conta de uma osteomielite. Para distraí-la do pesado ambiente hospitalar, as enfermeiras lhe traziam papel e lápis de cor. Após a alta, pediu aos pais, Maristela e Pedro – hoje seus maiores incentivadores –, que comprassem materiais para praticar em casa. Gostava de colorir e ensaiar os primeiros rabiscos com personagens de contos de fada e de histórias infantis. Com o passar do tempo, a frequência dos traços e a qualidade das criações foi evoluindo. Foi apenas no ano passado que o hobby passou a ser levado a sério.

As margens dos cadernos servem de moldura para as suas criações enquanto está na escola – ela cursa o 8º ano do Ensino Fundamental na escola Alfredo Aveline. Mas é aos finais de semana que consegue dedicar-se com mais foco à sua arte. A inspiração vem de desenhos colecionados no aplicativo Pinterest e também do cotidiano – sua bicicleta encostada em uma árvore no sítio da família, por exemplo. Até mesmo como forma de explorar diferentes técnicas e traços, mescla a reprodução de imagens que encontra na internet com traços autorais.

O primeiro reconhecimento de sua arte surgiu quando dois desenhos seus – um pássaro e uma borboleta estilizados com notas musicais – foram escolhidos para estampar embalagens de presente da livraria Aquarela. Frequentadora do lugar, ela costumava comprar ali os adesivos que colecionava na infância e, à medida que o seu talento era lapidado, investia também nos apetrechos necessários para desenhar. Rosa Milani, uma das proprietárias, encantou-se com as ilustrações e teve a ideia de eternizá-las nos embrulhos.

O primeiro reconhecimento do seu talento veio no ano passado, quando dois desenhos seus foram escolhidos para estampar embalagens de presente de uma livraria da cidade

Foi graças à iniciativa que Júlia conheceu Marjori Brandolt Vaccari e passou a fazer aulas particulares para aperfeiçoar seus conhecimentos. Os encontros semanais precisaram ser suspensos temporariamente por conta da mudança na rotina ocasionada pelo início da exposição, mas devem ser retomados em breve. Com a professora, a adolescente está aprendendo técnicas de realismo. Por enquanto, o tema central são os animais, mas ela pretende, posteriormente, aprofundar-se também em figuras humanas. 

Com os ensinamentos, Júlia passou a comercializar sua arte, desenhando sob encomenda pets a partir de fotografias. O trabalho é cobrado por hora, com valor diferenciado para criações em preto e branco ou coloridas – em média são necessárias três horas até a finalização. No futuro, ela projeta reunir esses retratos para uma segunda mostra dos seus trabalhos.

Com as aulas de desenho, a garota aprendeu técnicas de realismo que usa para reproduzir sob encomenda retratos de cães e gatos

Além dos pets, a menina também gosta de desenhar mandalas. A sua preferida – entre as selecionadas para a exposição – é também a sua obra mais trabalhada: foram 18 horas de desenho distribuídas ao longo de cinco dias. Júlia prefere utilizar lápis preto e caneta da mesma cor, já que ainda não domina as técnicas para uso de lápis de cor. Além disso, gosta do efeito das imagens monocromáticas, que transmitem a sensação de se tratar de um desenho, ao contrário das obras coloridas que se assemelham mais a fotografias.

Embora ainda seja nova para pensar os rumos profissionais, ela pretende seguir em alguma área que tenha afinidade com o desenho, como design ou arquitetura. “Eu me sinto muito bem desenhando, bem à vontade, bem solta”, comenta.

A exposição

As obras de Júlia estarão disponíveis de 04 a 31 de julho na Casa das Artes, Rua Henry Hugo Dreher, 127, bairro Planalto de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h45min e das 13h30min às 22 horas. A entrada é franca e a artista se encontrará na exposição nas terças, quintas e sextas-feiras das 15 às 20 horas.

Fonte: Serra Nossa e Arquivo Pessoal

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